terça-feira, 18 de março de 2008

FEIJÃO E SOJA: AJUDAM NA PERDA DO PESO?

Feijão e soja são alimentos ricos em nutrientes, pois contêm proteínas vegetais, carboidratos complexos, fibras dietéticas, fitoquímicos (especialmente as isoflavonas derivadas da soja) e minerais essenciais para a saúde. Por outro lado, contêm baixo teor de gordura saturada e sódio, além de não conterem colesterol.
É importante salientar que a inclusão de feijão e soja na dieta é uma excelente estratégia para aumentar o consumo de fibras dietéticas. A presença de fibras é essencial em dietas de emagrecimento, pois atenuam a ingestão alimentar e o ganho de peso corporal. Sobrepeso e obesidade, quando o peso corporal é maior que o considerado saudável para a respectiva altura, predispõem o indivíduo a doenças e outros problemas de saúde, tais como hipertensão, dislipidemia, diabetes mellitus tipo 2, doenças coronarianas, acidente vascular cerebral, disfunção da vesícula biliar, osteoartrite, apnéia do sono, problemas respiratórios e alguns tipos de câncer. As fibras dietéticas solúveis e insolúveis, presentes nestes alimentos, também contribuem para a manutenção do nível glicêmico e para a melhora da sensibilidade à insulina. Cabe ressaltar que ambos (feijão e soja) apresentam baixo índice glicêmico, relevante na prevenção e tratamento de diabetes e obesidade. Além das fibras, o feijão e a soja também são fontes de proteínas, que parecem exercer maior efeito sobre a saciedade do que os carboidratos e gorduras, porém ainda há controvérsias. A ingestão de proteína associada ao exercício físico regular pode favorecer a formação de massa muscular, que por sua vez, aumenta o gasto energético, favorecendo o emagrecimento. Estudos experimentais e clínicos têm mostrado os efeitos favoráveis da proteína da soja sobre a prevenção e tratamento da obesidade, já que estes benefícios são pouco conhecidos e seu consumo é baixo pela população brasileira, ao contrário do feijão.
No entanto, o consumo excessivo de proteína deve ser evitado, pois pode desencadear doenças renais, especialmente em indivíduos obesos, já propensos ao desenvolvimento do problema. Em particular, o feijão contém uma glicoproteína que inibe a conversão dos carboidratos em glicose. Este efeito de reduzir a absorção de glicose diminui a ingestão energética resultando em menor ganho de massa corporal. Além disso, este efeito auxilia a manutenção dos níveis normais de glicose. Por outro lado, um dos principais fitoesteróis encontrados na soja são os isoflavonóides. O concentrado de soja contém alto teor de isoflavonóides, porém a quantidade deste componente da soja apresenta variação conforme região de cultivo, armazenamento e processamento industrial. A genisteína é um isoflavonóide responsável pela inibição da enzima alfa-glicosidade. O bloqueio da ação desta enzima retarda a digestão de carboidratos no trato intestinal, reduzindo a hiperglicemia pós-prandial e o nível de insulina plasmática, de forma similar a faseolamina. Além disso, a genisteína tem efeito redutor de lipídios plasmáticos, especialmente na presença de hipercolesterolemia. Portanto, os isoflavonóides podem prevenir doenças crônicas não-transmissíveis especialmente por reduzir glicose e lipídios plasmáticos que, por sua vez atuam como agentes protetores contra doenças coronarianas, diabetes mellitus e obesidade.
Assim, o consumo de feijão e soja parece ser favorável na promoção da saúde, redução de peso e prevenção da obesidade, desde que associados a bons hábitos alimentares e exercícios físicos regulares. É importante salientar que estes alimentos devem ser consumidos com moderação dentro de uma dieta balanceada e que sua preparação não deve conter alimentos ricos em gordura saturada, que aumentam o valor calórico e predispõem à doenças cardiovasculares.
Referências:1. Geil PB, Anderson JW. Nutrition and health implications of dry beans: a review. J Am Coll Nutr. 1994;13(6):549-58. 2. Anderson JW, Smith BM, Washnock CS. Cardiovascular and renal benefits of dry bean and soybean intake. Am J Clin Nutr. 1999;70(3 Suppl):464S-474S. 3. Delzenne NM, Cani PD. A place for dietary fibre in the management of the metabolic syndrome. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2005;8(6):636-40. 4. Centers for Disease Control and Prevention. Defining Overweight and Obesity. Disponível em: http://www.cdc.gov/nccdphp/dnpa/obesity/defining.htm. Acessado em 08/02/2008.

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